Não só na Cirurgia Plástica, mas também em quase tudo na vida, ter expectativas em demasia é um caminho inevitável para a frustração. Algumas pessoas pensam, incorretamente, que um cirurgião plástico é capaz de fazer milagres, como operar sem deixar absolutamente nenhuma cicatriz. Acham, então, que é obrigação do profissional executar atos completamente perfeitos. A perfeição é algo inatingível. Com a experiência de vida, vai-se percebendo a falibilidade dos atos humanos, o que não é diferente com as intervenções cirúrgicas. O processo da cicatrização, por melhor que seja a técnica empregada, pode apresentar muitas variações de pessoa para pessoa ou, até em uma mesma pessoa, de região para região do corpo. Isto impede fazer comparações válidas de resultados de um indivíduo já operado com aqueles que o(a) paciente espera ter. As operações de caráter estético, apesar de todos os cuidados e detalhes observados pelo cirurgião plástico, deixam inevitavelmente algum tipo de cicatriz. Em intervenções como as plásticas de nariz ou de pálpebras, estas cicatrizes são praticamente imperceptíveis. Em outras, como as lipoaspirações, são de tamanho muito pequeno. Nas correções de rugas faciais (lifting), ficam disfarçadas no sulco à frente das orelhas ou dentro do couro cabeludo. As plásticas de abdome têm suas cicatrizes em locais favoráveis, mas ficam mais ou menos evidentes ao serem olhadas de perto. As mamaplastias de redução (para diminuir mamas grandes ou corrigir flacidez) deixam, inevitavelmente, cicatrizes perceptíveis. Na verdade, há sempre uma troca: corrigem-se problemas, mas fica um sinal da correção. A não ser nos casos em que a cicatriz seja anormalmente grossa (quelóides) ou larga, esta troca é muito compensadora e satisfaz o(a) paciente e o médico. Entretanto, cumpre repisar o que se disse na primeira frase deste texto: não se deve esperar demais. Além das questões ligadas puramente ao resultado, há outras a lembrar: operações plásticas são apenas isso – intervenções cirúrgicas. Não são mudanças de personalidade, não transformam uma pessoa em outra, não recuperam crises conjugais ou existenciais. Podem ser, sim, uma valiosa ajuda na melhora da auto-estima – mas não há como idealizar demais o que se espera obter. Bem entendido isto, os resultados obtidos serão aceitos da melhor maneira possível (a vida é a arte do possível, alguém já disse) pelo(a) paciente.